O (triste) Cenário das Publicações Nacionais

    Nos últimos 15 anos, até o final de 2018, temos visto na grande imprensa declarações ufanistas de que a ciência produzida no Brasil estaria entre as nossas “joias da coroa” devido ao grande aumento quantitativo de publicações científicas. Contando artigos indexados no Scopus, passamos de 12,7 mil publicações em 1998 para 81,7 mil em 2018 (aumento de 540%). Estamos em 14º lugar no ranking de publicações científicas. Apesar da grande quantidade de artigos, quando falamos de impacto científico, que é medido em citações por publicação (CPP), a realidade é totalmente diferente. Utilizando dados de citações dos artigos publicados em 2017, verificamos que nosso CPP é 2,25. Entre os países com pelo menos 3 mil publicações, estamos na posição 58 entre 70 países; em 1º lugar está a Suíça (CPP 2017 = 4,92).  Nosso impacto é 45,7% do observado pela Suíça. Estamos abaixo do Chile (CPP 2017 = 3,22) e Argentina (CPP 2017 = 2,68), países que investem muito menos que nós em Pesquisa e Desenvolvimento quando calculado por percentual do PIB (Brasil = 1,27%, Argentina = 0,53%, Chile = 0,35%; dados de 2016). A posição do Brasil nos rankings de impacto não muda quando olhamos diferentes áreas do saber. Por exemplo, em Química, estamos em 35º no ranking CPP de 41 países com pelo menos 1000 publicações em 2017 (em quantidade, estamos em 14º em Química). Dinheiro não é o fator do atraso científico nacional, talvez o excesso de publicações.